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Tempos modernos

On 24 de julho de 2010, in Sentido, by Pablo
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O vento traz chuva,
A chuva cria a poça,
A poça molha a moça,
A moça olha o moço.
Que no entanto,
Não faz nada…

Malditos tempos modernos,
Ele tem um iPhone com
Acesso à internet:
Twitter, Facebook, MSN.

Olhos vidrados,
Cabeça informada
E nenhuma
Gentileza por dentro.
 

No coletivo

On 20 de julho de 2010, in Pensativo, by Pablo
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O motorista do coletivo abre a porta central do veículo em pleno sinal fechado. Pula para dentro do ônibus um homem negro carregado de coisas que provavelmente ele iria vender à rua, mais um praticante do comércio informal do país. O cara brindou a todos com um sorriso largo, de marfim branco que só os afro descendentes são capazes.

Dois pontos à frente o “piloto” para, abre a porta central novamente e quando penso que o cidadão irá pular fora ele pega mais três caixas enormes e alguns pacotes. Mais sorrisos, mais alegria…

Lembrei do livro de Schopenhauer que ontem comecei a ler, falava sobre informação e instrução…

Que pequenininho eu sou, cheio de poucas informações, nenhuma instrução e incapaz de sorrir como aquele homem carregado de caixas e feliz por ter a porta central do coletivo aberta especialmente para ele.

Quase fui às lágrimas, querendo minha ignorância de volta.

 

água e música – tocata e fuga

On 14 de junho de 2010, in Prazer, by Pablo
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Eu choro… eu choro quando nado, através da minha pele. Eu gosto de nadar, pois dou murros na água. Sinto, muitas vezes, que não nado e sim me debato em agonia. E a minha pele chora e eu não vejo. Meu estômago dói e eu não ligo. Antes de nadar eu choro, em lágrimas caídas dos meus olhos, escondido em meu castelo. E choro durante o ato de nadar. “E depois, tudo passa?” Não, continua lá, mas me dá paz e cansaço suficientes para dormir e encarar um novo dia.

Pessoas outras tomam remédio, usam drogas, bebem… Isso é válido também, não condeno. Quem sou eu para julgar quem quer que seja. Eu nado e choro. Choro por dentro também, porque afinal, o choro vem de lá daquele lugar infinito que fica no fundo de alguma gaveta do cérebro e quando sai passa diretamente por nossas vísceras. Sim, porque choro que não é visceral, é choro de esparro… choro de novela. Não vale nada.

A água, tal qual a música, é uma excelente companheira… Não te trai! Não te diz uma coisa, quando é outra. Não joga contigo. E enquanto a música te tira pra dançar e embala teus sonhos, a água te abraça e te ama e te exaure. Não são a mesma coisa que dançar com ela, ou o abraço dela. No entanto, eu amo música… e amo nadar…

E no fim, depois de todas aquelas braçadas, eu me sinto um pouco mais leve, ou talvez menos pesado…

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Liberdade?

On 7 de junho de 2010, in Pensativo, by Pablo
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Caminho sobre as minhas próprias pegadas e esta constatação, de me repetir sempre nos mesmos passos, me angustia… Como um louco que tenta derrubar uma fortaleza a cabeçadas, eu insisto, inadvertidamente na mesma trilha e volto ao ponto de partida, infinitamente, como um disco arranhando. Olho aos lados e vejo diferentes pessoas, outras paisagens… Novos atores das mesmas personagens, que se sucedem ininterruptamente. Estou cansado disso.

Deveríamos ser senhores dos nossos destinos, mas a mim isto parece tortura. Como a um preso se lhe impõem uma gota a pingar sobre a fronte em um quarto escuro. Estando ali abandonado por um tempo que lhe parece mais com uma vida inteira e na verdade não passariam de algumas horas. Estas horas, que para nós, são anos, me afligem… “Falem comigo! Batam-me! Perguntem-me algo!”. A grande sacada de Deus, do Destino, do cacete que for, é que, diferente do torturado, nós recebemos a graça divina da vida. Dizem-nos todos os Textos que somo senhores do livre arbítrio a nós confiado… Mas nesta estrada que sigo, percebo a leve marca deixada por mim, meus pés… meu ser… E se existe a tal liberdade, onde ela está? Estamos então num jogo de fases? Cansei de jogar, quero viver…

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Pessoa, sempre ele…

On 26 de maio de 2010, in ...no tombo, by Pablo
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Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

Fernando Pessoa, 1934
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Inevitável

On 20 de maio de 2010, in Grosseiro, Pensativo, by Pablo
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Não foste sempre tu quem disseste que nada iria te corromper? Do alto da tua pueril arrogância te intitulavas como inflexível ante as agruras do tempo. As bordoadas da vida nunca lhe fariam dobrar os joelhos… Assim eras lá do alto dos teus dezoito anos. Foste frio e impiedoso com todos os que te amaram e nada deste em troca dos pedidos de perdão… O olhar superior e a empáfia solene lançava a todos em um torvelinho de angústia e miséria e nem assim esboçavas qualquer compaixão.

Agora, te sentas, à beira do caminho. A mão estendida, os olhos fundos e vítreos de desesperança. Onde está a tua soberba? Onde está aquela empáfia? Consumida pelo maior algoz de todos, aquele que, inexorável, marcha sobre tudo. Aquele que desafiaste e chamaste a dançar: insolente! O tempo te esperou à esquina e não te avisou quando começou a andar ao teu lado! Teus ossos fracos, tua vista cansada, tua mente que falha… O coração de pedra aos poucos vai-se em areia, antes espatifasse, mas não: decompõe-se.

Espera, não te vás, fica, mendiga mais um pouco por qualquer sentimento[...], quem sabe alguém das antigas te veja e possa enfim vingar-se, dando a ti tudo o que não pensaste sequer em oferecer: misericórdia.

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Diálogos II

On 19 de maio de 2010, in Diálogos Hipotéticos, by Pablo
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- Preciso comprar cuecas novas. As minhas estão velhas!
- Eu gosto das tuas cuecas velhas. Gosto dos furos e do amarelado nas cuecas brancas…
- Não! Preciso comprar cuecas novas.
- Ah… deixa disso, é charmoso!

O mundo mudou e eu não vi?! Desde quando mulheres gostam de homens com cuecas velhas?! Aí tem…

- Mas… bem, talvez seja bom comprar uma ou duas…
- É… preciso comprar cuecas novas! – lá vem…
- Bom! Poderíamos marcar para irmos ao shopping um dia destes, então… Eu te ajudo a escolher alguns modelos.
- É… – Quais modelos?! Aqueles tipo samba-canção com patinho, e bichinhos escrotos?! No way!
- E depois poderíamos ir àquela loja, lembra, a da bolsa! Poderias me ajudar na prestação… o que achas?!

Eu sabia!

- Bom… acho que não estão assim, tão velhas mesmo!
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Diálogos I

On 19 de maio de 2010, in Diálogos Hipotéticos, by Pablo
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- Por que me odeias?
- Eu não te odeio…

[...]

- Sim…
- Sim o que?
- Eu te odeio!
- Por quê?!

[...]

- Porque mataste meu sorriso!
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Eu e meu umbigo…

On 16 de maio de 2010, in Pensativo, by Pablo
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Vislumbrei o fato de que não tenho mais condições psicológicas de viver em Salvador, talvez no Brasil. Os últimos dias têm me mostrado que o meu nível de estresse e desespero ao lidar com as pessoas ao meu redor ultrapassou o limite o absurdo. Simplesmente não consigo mais tolerar a burrice, ignorância, presunção e arrogância dos outros seres humanos com as quais convivo no dia a dia, seja apenas por alguns instantes em ônibus ou à rua e também no trabalho…

Daí, pensando comigo mesmo e sendo o meu carrasco, como geralmente eu tento ser para não dar aos outros a chance de sê-lo, primeiro me considerei um “se fazendo de vítima” “coitadinho”, por não me adaptar ao “environment”. Oras! Depois me questionei se eu realmente iria tolerar conviver com os intelectuais, os donos do saber… Sinceramente, não. Conheço pessoas que se acham conhecedores de tudo e são dois pés em cada ovo do saco!

Concluí, portanto, que o problema sou eu… Não sei brincar de sociedade. Tá, eu até gosto de sair, encontrar amigos, encontrar pessoas, ver gente, conhecer seres humanos e tals, mas por favor, não o tempo todo, não… não dá! Acho lindo quem consegue, quem tem esse talento. Mas não é para mim. Trabalho? Acho que deveríamos ter dois ou três nos quais desenvolveríamos as atividades necessárias ao longo da semana. Dois dias em um, três no outro, talvez duas ou três tarde para um terceiro… A variedade gera uma satisfação, provavelmente até diminuiria o ímpeto poligâmico de alguns “machos”. Vai saber, né!

Me irrita o dia a dia com o sempre “mais do mesmo”! Burrice: me irrita! Falta de educação: me irrita! A inexistência de cultura em um indivíduo: me irrita!

Quando eu afirmo que todas essas coisas me irritam, não quero dizer que sou o supra sumo da inteligência, cultura, educação! Eu peido, arroto, enfio o dedo no nariz, falo palavras de baixo calão e atravesso a rua no sinal aberto… mas tudo ao seu momento.

O que fazer? Não sei. Se tiveres uma dica, a mais besta que for, me ajude…

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Num domingo…

On 9 de maio de 2010, in Grosseiro, by Pablo
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…estás em casa, na tua, com preguiça até de piscar os olhos. Passaste o dia naquela de beber água, comer alguns biscoitos que ainda restavam, umas fatias de queijo… almoçar para que, né? Mas daí tu te lembras que amanhã é segunda-feira e que vais precisar comer algo antes de sair pro trampo. Um pão que seja! Bueno, tu pensas assim: “Porra, tem de vestir uma roupa melhor que este calção dos tempos do Sarney na presidência…!”. Vamos lá, veste a porra da roupa e tals e vais pro mercadinho mais próximo, que é a porra do mercadinho de barão da região. Só vai a grã-finada, ou melhor, os nouveau rich metidos a cu lavado com água Perrier. E no meio do caminho aquela torcida para não encontrar ninguém, para que não percebam que estás ali…

Mas é selva né? Lei de Murphy ligada no talo, né?

E daí que encontras as pessoas e estás naquele humor do cão… Tentas disfarçar e tals, mas nem dá! Umas duas pessoas até legais, bacanas, queridas mesmo. Mas outra uma, tu até que fica feliz de estar no bad mood!

Okay… Paga a conta e se pica pra casa a la Cafú, abaixa a cabeça e sai correndo até a linha de fundo. Pra que centrar a bola, dar passe, ou jogar com a galera?! Abre a porta de casa, entra rapidamente e respira mais tranquilo, estás a salvo da humanidade. Pelo menos até ligar a televisão…

Moral da historia, domingo é um dia que só presta se tu trepas da manhã até a noite! E entre uma trepada e outra, come umas besteirinhas ali e acolá. Fora isso, é o futebol na TV… E venhamos e convenhamos, trepar é muito melhor! HA!

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