Caminho sobre as minhas próprias pegadas e esta constatação, de me repetir sempre nos mesmos passos, me angustia… Como um louco que tenta derrubar uma fortaleza a cabeçadas, eu insisto, inadvertidamente na mesma trilha e volto ao ponto de partida, infinitamente, como um disco arranhando. Olho aos lados e vejo diferentes pessoas, outras paisagens… Novos atores das mesmas personagens, que se sucedem ininterruptamente. Estou cansado disso.
Deveríamos ser senhores dos nossos destinos, mas a mim isto parece tortura. Como a um preso se lhe impõem uma gota a pingar sobre a fronte em um quarto escuro. Estando ali abandonado por um tempo que lhe parece mais com uma vida inteira e na verdade não passariam de algumas horas. Estas horas, que para nós, são anos, me afligem… “Falem comigo! Batam-me! Perguntem-me algo!”. A grande sacada de Deus, do Destino, do cacete que for, é que, diferente do torturado, nós recebemos a graça divina da vida. Dizem-nos todos os Textos que somo senhores do livre arbítrio a nós confiado… Mas nesta estrada que sigo, percebo a leve marca deixada por mim, meus pés… meu ser… E se existe a tal liberdade, onde ela está? Estamos então num jogo de fases? Cansei de jogar, quero viver…
Mas a vida já não é o jogo em si?
É… no final tudo é um jogo!