O motorista do coletivo abre a porta central do veículo em pleno sinal fechado. Pula para dentro do ônibus um homem negro carregado de coisas que provavelmente ele iria vender à rua, mais um praticante do comércio informal do país. O cara brindou a todos com um sorriso largo, de marfim branco que só os afro descendentes são capazes.

Dois pontos à frente o “piloto” para, abre a porta central novamente e quando penso que o cidadão irá pular fora ele pega mais três caixas enormes e alguns pacotes. Mais sorrisos, mais alegria…

Lembrei do livro de Schopenhauer que ontem comecei a ler, falava sobre informação e instrução…

Que pequenininho eu sou, cheio de poucas informações, nenhuma instrução e incapaz de sorrir como aquele homem carregado de caixas e feliz por ter a porta central do coletivo aberta especialmente para ele.

Quase fui às lágrimas, querendo minha ignorância de volta.