Dizem que amar é deixar partir, deixar que se vá. Deixar que te deixem, que te não olhem. É deixar livre, para o mundo voar… Para mim, isso é negligência, demência, inconsciência… Praticar desapego com amor é coisa de monge…
Ao claustro com eles!
Dizem que amar é deixar partir, deixar que se vá. Deixar que te deixem, que te não olhem. É deixar livre, para o mundo voar… Para mim, isso é negligência, demência, inconsciência… Praticar desapego com amor é coisa de monge…
Ao claustro com eles!
Não foste sempre tu quem disseste que nada iria te corromper? Do alto da tua pueril arrogância te intitulavas como inflexível ante as agruras do tempo. As bordoadas da vida nunca lhe fariam dobrar os joelhos… Assim eras lá do alto dos teus dezoito anos. Foste frio e impiedoso com todos os que te amaram e nada deste em troca dos pedidos de perdão… O olhar superior e a empáfia solene lançava a todos em um torvelinho de angústia e miséria e nem assim esboçavas qualquer compaixão.
Agora, te sentas, à beira do caminho. A mão estendida, os olhos fundos e vítreos de desesperança. Onde está a tua soberba? Onde está aquela empáfia? Consumida pelo maior algoz de todos, aquele que, inexorável, marcha sobre tudo. Aquele que desafiaste e chamaste a dançar: insolente! O tempo te esperou à esquina e não te avisou quando começou a andar ao teu lado! Teus ossos fracos, tua vista cansada, tua mente que falha… O coração de pedra aos poucos vai-se em areia, antes espatifasse, mas não: decompõe-se.
Espera, não te vás, fica, mendiga mais um pouco por qualquer sentimento[...], quem sabe alguém das antigas te veja e possa enfim vingar-se, dando a ti tudo o que não pensaste sequer em oferecer: misericórdia.
Vislumbrei o fato de que não tenho mais condições psicológicas de viver em Salvador, talvez no Brasil. Os últimos dias têm me mostrado que o meu nível de estresse e desespero ao lidar com as pessoas ao meu redor ultrapassou o limite o absurdo. Simplesmente não consigo mais tolerar a burrice, ignorância, presunção e arrogância dos outros seres humanos com as quais convivo no dia a dia, seja apenas por alguns instantes em ônibus ou à rua e também no trabalho…
Daí, pensando comigo mesmo e sendo o meu carrasco, como geralmente eu tento ser para não dar aos outros a chance de sê-lo, primeiro me considerei um “se fazendo de vítima” “coitadinho”, por não me adaptar ao “environment”. Oras! Depois me questionei se eu realmente iria tolerar conviver com os intelectuais, os donos do saber… Sinceramente, não. Conheço pessoas que se acham conhecedores de tudo e são dois pés em cada ovo do saco!
Concluí, portanto, que o problema sou eu… Não sei brincar de sociedade. Tá, eu até gosto de sair, encontrar amigos, encontrar pessoas, ver gente, conhecer seres humanos e tals, mas por favor, não o tempo todo, não… não dá! Acho lindo quem consegue, quem tem esse talento. Mas não é para mim. Trabalho? Acho que deveríamos ter dois ou três nos quais desenvolveríamos as atividades necessárias ao longo da semana. Dois dias em um, três no outro, talvez duas ou três tarde para um terceiro… A variedade gera uma satisfação, provavelmente até diminuiria o ímpeto poligâmico de alguns “machos”. Vai saber, né!
Me irrita o dia a dia com o sempre “mais do mesmo”! Burrice: me irrita! Falta de educação: me irrita! A inexistência de cultura em um indivíduo: me irrita!
Quando eu afirmo que todas essas coisas me irritam, não quero dizer que sou o supra sumo da inteligência, cultura, educação! Eu peido, arroto, enfio o dedo no nariz, falo palavras de baixo calão e atravesso a rua no sinal aberto… mas tudo ao seu momento.
O que fazer? Não sei. Se tiveres uma dica, a mais besta que for, me ajude…
Quantas tentativas até o acerto? E o que seria um acerto? O tempo que algo dura de forma positiva perde-se quando acaba? O respeito no final é que faz tudo ter valido a pena…
Saber lidar com fim de forma tranquila é a maior prova de carinho por um ex-amor e uma forma inquestionável de respeito próprio.
Até onde vai a nossa dependência da tecnologia?
Minha mãe me perguntou na semana retrasada se é o homen quem domina as máquinas ou as máquinas que dominam o homem. Acho que estamos à mercê da tecnologia que nós próprios criamos. Não temos mais como voltar atrás, pelo menos não conscientemente. Claro que catástrofes acontecem…
Meu computador está em manutenção, a despeito de tratar-se de um mac e de ter apenas 4 meses de adquirido. Primeiro comecei a acessar a internet do celular, um Nokia N78, mas acabei não resistindo e comprei um iPod Touch. Digito este post direto do aparelhinho do Mr. Steve Jobs.
Como nas “brincadeiras” de dominção sexual, quem controla a situação é quem está sendo submetido. Criamos os computadores e em hipotose somos os dominantes mas não estamos no controle.
A resposta direta à minha mãe? As máquinas nos dominam!
O Brasil tende a adotar o sistema político-partidário norte-americano. A observar as mudanças de afiliação conduzidas por alguns políticos que ora estão no DEM, ora no PSDB e então passam ao PT e em consonância com a tendência individual existe também o caminho (da luz?) adotado por partidos que no Rio Grande do Sul podem ser coligados, na Bahia inimigos mortais e na esfera federal seriam adversários ferrenhos de um terceiro, quarto, quinto…
A pensar desta forma a tendência é que no futuro existam dois partidos, um formado pela massa homogênea de vagabundos, ladrões, corruptos e descarados dos políticos associados a algum partido – militantes partidários inclusive – organizados em causa própria para dilapidar cofres públicos e engordar contas bancárias fantasmas no Brasil e em paraísos fiscais. Do outro lado está a massa heterogênea, desorganizada, dilapidada em seu orgulho próprio e totalmente descrente que seja possível mudar esta situação, eis o povo brasileiro, nós, que teríamos naqueles primeiros nossos “legítimos” representantes.
Ora bolas, há muito tempo eu escutei que a organização partidária dos EUA era melhor do que a nossa, eis que estamos a caminhar em passos largos até ela!
Hooray!
Agora não adianta jogar a culpa nas invasões cariocas por todas as mortes e alagamentos da cidade maravilhosa. No Brasil de maneira geral não existe nenhuma preocupação quanto a forma de ocupação urbana, seja por parte das construtoras, escritórios de arquitetura ou governos municipais e talvez nunca venha a existir. Urbanismo é apenas uma palavra agregada ao diploma em muitas Universidades Federais de Arquitetura. A ética ao lidar com a condição humana e a maneira através da qual uma nova construção irá afetar o seu entorno e a cidade é descartada em nome do lucro e da velha alegação do “se eu não fizer, outro vem e faz!” ou “eu preciso ganhar dinheiro p’ra minha família…” e ainda “não sou o primeiro, já fizeram antes, nem serei o último…”. Então, os índices de permeabilidade – que em linguagem leiga significa a camada de terra que não será coberta por piso e construção, dentro de um terreno a construir – que já são diminutas, pelo menos em Salvador, são na maioria das vezes desconsideradas ou tratadas com um cinismo James Bondiano… Ou seja, não é um problema apenas dos morros ultra ocupados por favelas, as edificações de luxo ou medianas, na parte de baixo da cidade, também têm sua parcela de culpa e é bem grande. E daí vem a chuva… E para onde vai toda a água?
Existe também a ineficácia na conscientização da população a respeito das formas contraceptivas e de um plano de governo para controle [em massa] da natalidade. Sim, o povo brasileiro continua a procriar e muito! As taxas de mortes infantis e recém nascidos diminuíram, mas aumentando a população, mas todo o resto ficou no mesmo passo de antes, lento, lerdo, anacrônico. Resultado dessa equação catastrófica, cidades incham, qualidade de vida cai, se faz necessária a construção de novas unidades habitacionais e isto acontece, na maior parte das vezes, à revelia do governo municipal, que ao invés de trazer o povo para o seu lado o afugenta com taxas e mais taxas, documentações e burocracias sem fim… Não somos mais o país do jeitinho mas sim do se meu vizinho faz, eu também faço! E lá vamos nós… O governo não pensa, nem planeja a ampliação do número de escolas. Esquece da saúde. Trata os funcionários das duas áreas como lixo, cai a qualidade dos serviços e a educação do povo, que tende bichificar[sic] seus relacionamentos urbanos e o sentido da palavra urbanidade já esquecido há muito tempo torna-se utópico…
Falta interesse sincero dos administradores e legisladores municipais para reverter essa situação. Em outras postagens deste blog eu critiquei a “democracia” praticada na maior parte dos países ocidentais pois ela é falsa. Trata-se apenas da manteiga sobre o pão pois nada muda. Estamos num círculo vicioso e para que essa democracia funcione a participação da população consciente é essencial e isto só ocorrerá com educação, cultura… Não adiantam, apenas, obras de contenção dos efeitos colaterais das chuvas. A progressão destes problemas é geométrica. E na verdade, apesar desta chuva do Rio de Janeiro ter sido sim mais violenta, não foi a única causa, as grandes capitais brasileiras estão estafadas, fisicamente deterioradas… Fazer o que? Tentar diminuir os riscos de novas catástrofes, diminuir corrupção, aplicar a verba pública na melhoria de equipamentos urbanos e principalmente aplicar estudos urbanos sobre a peculiar condição das encostas enfavelada[sic] das grandes cidades brasileiras. Pois com certeza, se não há um estudo urbanístico sobre como melhorar a condição da estrutura física habitacional nestes locais, não deve ser difícil encontrar profissionais gabaritados para isso aqui no Brasil…
Enfim, todos comemoram a vinda de uma Olimpíada para uma cidade sul americana. Será um gasto absurdo para limpar, construir, “re-urbanizar”(entenda-se com isso maquiar o que é feio para fins exclusivamente turísticos e não um real estudo urbanístico com a finalidade de melhoria de vida dos habitantes da cidade) e tudo sob a alegação que o evento trará para o Brasil o lucro dos investimentos de empresas estrangeiras, melhoria na imagem da cidade e do país e bla, bla, bla, bla… No entanto a vaidade dos nossos políticos aliada ao sistema pão e circo + voto nos levará ao gasto de bilhões aplicados em uma infraestrutura para uma grande maioria de atletas dopados virem desfilar no Rio de Janeiro sob os olhares de uma platéia apta a pagar, a tomar pelo ingresso mais barato para a abertura dos Jogos de 2008, R$43,75… E alguém ficou triste em saber que essa grana toda poderia trazer melhores condições de vida, educação, saúde para milhões de brasileiros mas não vai?
Não sou sociólogo, não pratico o urbanismo, só queria desabafar… e é para isso que, também, servem os blogs e os twitters da vida.
…E isso, essa chuva, que muito me agrada, nem é motivo de muita alegria. Afinal é um alívio no calor infernal que tem feito na cidade. Sempre rola aquele pensamento de culpa e remorso por saber que algum barraco está para deslizar morro abaixo, alguma encosta está para ceder e alguém poderá acabar morto no final do dia!
Conclusões diretas disso tudo? Primeiro que, apesar de alguns especialistas afirmarem que o brasileiro tem amadurecido quanto ao ato de votar, acho que o bahiano, melhor, o soteropolitano vai despender um tempinho a mais nesta questão. Segundo que eu sou um covarde, não tenho disposição e força, pelo menos neste momento, para querer entrar numa luta para mudar essas coisas.
Eu quero o prazer! Eu quero sorrir, quero cantar e quero viver. Quero sorrir com a chuva e celebrar o sol que volta triunfante. E Salvador não me permite isso…
Talvez seja apenas estresse… cansaço… talvez algo mais definitivo!
Como é viver no exterior? Não saberia responder a esta questão, partindo do ponto de vista que nunca morei fora do Brasil.
Como é viver sentindo-se um estrangeiro entre seus compatriotas? Horrível. Perder a identidade com aqueles que te cercam ou mesmo nunca ter sentido ‘aquela identificação’ é deprimente. Ser nordestino, brasileiro que seja, mas não sendo… Não ver similaridade entre o que pensas e a grande massa humana que te cerca te traz um sentimento de solidão absurdo. Claro que, ao longo da vida acabamos encontrando algumas pessoas, pouquíssimas, que se sentem da mesma forma. Mas isso ao invés de te alentar só aumenta a angústia de perceber que realmente aqui não é o lugar.
E a situação vai se complicando proporcionalmente ao desajustamento social, não me refiro a delinqüência ou coisas do tipo. Eu não assisto novela, não curto o BBB, não torço pro Bahia e muito, muito menos pro Vitória. Confesso que adoro Caruru e Acarajé, mas isso não é algo que dê para se conversar diariamente. Falta assunto. Falta conexão. Mesmo assim eu me esforço para encontrá-la todos os dias. E até rola, mas chego em casa exausto. Não quero mais conversar sobre coisas da cidade, do povo daqui e tals…
Eu sinceramente chego quase a admirar aqueles soteropolitanos que ao chegarem no aeroporto de uma grande cidade estrangeira antes mesmo de dizerem “olá” perguntam: “Onde é o restaurante de comida nordestina-sudestina-sulista-brasileira…?”. Para então respirarem aliviados ao saber que existe algo e voltarem às boas normas de educação. Eu até admiraria se eu não desprezasse esse tipo de conduta com toda a força do meu ser.
Então, com o aumento do sentimento de incompatibilidade social surge a pergunta: “Voltar p’ra onde se eu nasci aqui?!”. Essa é a parte desesperadora. Não ter destino de ida, digo, de volta e ao mesmo tempo não suportar estar aqui. Talvez seja a sensação de um homem que, preso logo no início da vida adulta e permanecendo preso por muitos anos é posto em liberdade. Pais mortos, familiares perdidos na estrada da vida, que no caso dele era um sinal fechado, então a grande dúvida do “voltar pra onde, se não existe onde?”.
Eu não execro totalmente o meu país ou mesmo a minha cidade. Adoro a língua portuguesa, apesar de não dominá-la perfeita e integralmente – surgem oportunidades em que quase a assassino. O Brasil é um lugar massa. A cultura popular nordestina, com toda a mescla entre o que veio com os africanos, o que já existia com os índios e aquilo que trouxeram os portugueses, é algo de muito valioso e rico. Mas não é melhor, nem pior, do que a cultura de qualquer outro lugar no mundo. É diferente.
Mas para onde ir? A pergunta que sempre volta, já que eu, eu não volto mesmo para lugar nenhum. Onde é o meu lugar? Quem é a minha gente? Existem respostas? Perguntas que se transformam em uma imensa e avassaladora névoa que cobre meus olhos e minha lucidez. A ponto de, em muitos dias durante os últimos meses… anos, a vontade de sair porta fora e pegar um avião para o primeiro país que não exija visto de entrada ser imensa e não fosse o pânico de voar que me grilha a alma a esta citè eu talvez já tivesse ido…
Não, eu não creio que eu odeie Salvador. Eu só odeio falta de educação, de consideração, de inteligência, de urbanidade, de limpeza, de cultura, de sensibilidade… Mas Salvador não, eu não odeio-a… Tampouco o Brasil… Contudo continuo me sentindo um estrangeiro dentro da minha pátria. Aqui não é o meu lugar. Não me identifico. Quem sabe eu esteja olhando de muito perto e por isso não veja as similaridades. Talvez olhando de muito longe… Talvez.
Totalmente apático abre a porta do apartamento, olha a cozinha com desolação. Não há da de fácil e rápido preparo para saciar a fome, algo como pão com manteiga ou bolachas cream cracker. Nem maçã havia… Bebe água, uns quatro copos, talvez mais.
Já no quarto, a barriga a roncar e aturdido por não saber o que fazer, se despe, mas pensa que talvez fosse uma boba idéia permanecer vestido e dar uma chegada na mercearia para comprar algo… Pão e manteiga, quem sabe queijo. Vai na cozinha e bebe um copo de leite. Vai para o banho, a fome querendo voltar… O telefone toca:
A Progenitora – E aí, tudo bem querido? Como foi o dia? Deu comida pro rex? – Ele lembra da comida do gato, talvez aquilo seja até gostoso. O Rebento – Tudo bem sim… o dia foi normal, nada de mais, nem de menos. O cão está aqui, acho que está com fome… Eu também! A Progenitora – Faz panquecas! O Rebento – Não sei como é isso… – suspiro! A Progenitora – É assim… – um minuto e quarenta e três segundos depois… O Rebento – Sério!?!?! Eu tenho tudo isso aqui! Valeu mãe, salvaste a pátria das minhas lombrigas!Já na cozinha, lembra que não tem nada para rechear as panquecas, mas àquela altura do campeonato tudo valia… E começa a separar os ingredientes… Duas colheres de sopa cheias de farinha de trigo, três dedos de leite num copo comum… Lembra-se como as medidas da mãe se parecem com o sistema métrico da Inglaterra… eles têm aquelas medidas próprias, ela também. Dá risada. Pega um ovos de galinha – sim, porquê quem tem ovo é homem, aves colocam ovos. Ao quebrar o ovos no prato, percebe como isso ficou mais fácil desde que aprendeu a diferença entre ovos e ovo… Realmente quebrar o ovo para fazer qualquer coisa era extremamente agoniante ou agoniantemente extremo. Ovos no prato, apenas um ovos, garfo ao ovos, mistura a clara com a gema… Adiciona a farinha de trigo previamente separada na medida universal dA Progenitora. Fica aquela gosma semelhante a massa de modelar velha e ressecada. Ele pensa – Essa merda não vai dar certo, veja só… E eu aqui desperdiçando comida!! Começa a colocar o leite aos poucos, misturando vagarosamente com o garfo, aquilo parecia não querer unir o nada com nenhuma. O resultado vai surgindo, tal qual o sol às cinco da matina e da mesma forma que a fome acenando não ao longe, mas já bem de perto. Todo o leite no prato estava, a mistura agora parecia com aquela que ele sempre vira a mãe aprontar para as panquecas… Três pitadas de sal mais tarde e o óleo já a aquecer na frigideira. Uma, duas colheradas no líquido beije jogadas rapidamente sobre o óleo quente, o chiar, o cheiro… infância já esquecida. espalha, ajeita, acerta a mistura que rapidamente frita. Vira a panqueca, frita o outro lado. A primeira está pronta!!! Experimenta… confere se está bom de sal, a massa está boa! Perfeito. A fome olha por sobre o seu ombro, mas ele desconversa, muita concentração e calma no preparo para não queimar ou perder nenhuma gota do precioso líquido panquecoso. Quatro panquecas mais tarde e tudo está pronto.
Lembra-se de mais uma dica que A Progenitora falara antes de desligar o telefone – “Mastigue!”
Cinco minutos mais tarde não há mais panquecas! Apenas a sensação de saciedade e leve tristeza que o arremessa a um estado de suave torpor… sonolência. Constata que aquele aprendizado tornará-se deveras perigoso para a sua alimentação já não muito saudável. Sentado ao sofá a sala se lhe apresenta estranha, talvez o sono que o domina após ele matar quem o estava matando. Olha sobre os ombros, nada dela… Pensa – Até a próxima dona fome. – Adormece…
Dicas de acompanhamento para panquecas: guaraná antártica com gelo, coca-cola com gelo ou, modalidade desespero total, água. Se você for safo e souber fazer feijão, arroz e preparar e temperar carne moída… o almoço estará muito bem garantido!

Ahhhhhh!
Hoje é o dia oficial do início do verão, a estação para se torrar nas ruas, nas praias, nos quartos (sem ar condicionado), torrar em qualquer lugar… É verão! Como é “bom” morar na Bahia, em Salvador… aqui toda novidade demora a chegar. É um lugar bem atrasadinho mesmo, mas o verão sempre chega uns quatro meses antes da data oficial… Às vezes desconfio que nem vá embora, mas tudo bem.
Ahhhhhh!
Que “delícia” esse calorão com toda essa umidade… o suor pegajoso, aquela sensação adorável de desconforto físico… A roupa ensopada! Aquele suor escorrendo à fronte um segundo após sairmos do banho morno – que não é amornado por meios artificiais, a água já desce quentinha desde a caixa d’água no alto do edifício… não precisamos de chuveiro elétrico ou aquecimento a gás, naaaaahhhh – Seja bem-vindo óh altaneiro verão!
Ahhhhhh!
Mais do que nunca é o tempo oficial para as praias lotarem e da poluição produzida em dia de sol normal mais que triplicar. Oras!, quem se importa, quem estará por aqui daqui a cinqüenta anos? Isso é coisa de ecochato… Latinhas de cerveja são biodegradáveis. Mijo e cocô no mar?, também o são! E os seres humanos: biodesagradáveis! É isso aí, estou correndo para o Porto da Barra, guardar o meu lugarzinho ao sol…
Ahhhhhh… o verão!
Hoje eu fui acordado por estas três palavras. Cansado que estou do meio social onde vivo me questionei quem seria o normal e o anormal nesta história. Partindo da leitura de vários dicionários disponíveis na internet o “normal” é aquilo que se encontra estabelecido, o usual, é o estado padrão… Partindo do pressuposto de que a maioria vence e que se este grupo estabelece uma conduta usual e corriqueira esta passará a ser a Normal, daí como julgar o que Certo e o Errado se estes conceitos caem por terra quando transgredidos e transformados pelo meio, mesmo que anteriormente tenha se estabelecido algo diferente o que vale é o que ocorre agora?!
Se o meu vizinho escuta o som alto até a meia noite ou mais e isto é um padrão estabelecido dentro da sociedade em que habito, como julgar isto anormal? Mesmo que através dos conceitos antigos e instituídos por outros grupos sociais, que não compete a mim dizer mais ou menos evoluídos, tenha sido admitido ser esta uma prática errada e incômoda, se este grupo onde estou inserido assume isso como certo e também toma como errada a tarefa de queixar-se direta ou indiretamente (órgãos municipais), como me enquadrar como o racional nesta história…? Sou o anormal mais uma vez! E o Certo fora convertido em errado, seja na perspectiva do uso do som alto ou da outra, a da reclamação.
Se uma reunião, seja de trabalho ou de amigos está agendada para iniciar em determinado horário mas tem o seu começo atrasado em uma ou talvez duas horas por ausência e/ou atrasos que não são notificados a tempo e isso é um padrão, é o usual… quem é o anormal? Mesmo sabendo-se que um atraso de uma ou duas horas poderá implicar em prejuízo financeiro para uma empresa ou na impossibilidade de se aproveitar de maneira completa um tempo de relaxamento com os convivas, a regra é esta, é inexorável, está aí… é real, é usual, é normal! Mais uma vez sou o anormal! E o que é certo então? Se eu não consigo me adaptar, está claro que sou o errado mais uma vez também.
Se em um clube social conhecido por ser um dos baluartes da requintada[?] sociedade soteropolitana – o Bahiano de Tênis – que fica à cerca da minha residência eu tenho de escutar, proferirem aos gritos, em plena 5:30 da manhã, vindas de um senhor cidadão já com os seus cinquenta anos, as frases: “puta que pariu”, “vai porra!”, “joga filho da puta!”, “VAAAAAAAI!”, “merda caralho!” e entender que esta é uma prática já fixada, pois ele, como representante da alta e boa classe deste município, o faz desde a mais tenra idade quando das suas aulas iniciais do esporte dos reis e rainhas – o tênis. Como dizer que a ausência de trato social é um privilégio – pois em Salvador não se trata de um defeito, mas uma qualidade saber comportar-se desta forma – das classes menos favorecidas? Ainda que eu esteja já acordado neste horário, existem outras pessoas ao redor que não estão. Porém o anormal continua sendo eu, que me preocupo por eles e com eles… Vejam, não sou um crítico dos palavrões, mas dividí-los com mais de 10 prédios ao mesmo tempo e em um horário como este é algo mais que insidioso, pelo menos para mim. Mas não liguem ainda sou o anormal. Pelo menos enquanto estiver por aqui…
Salvador é habitada por três milhões de pessoas – 3.000.000!!!! – onde eu arrisco dizer, com muita incerteza e medo confesso, que 0,1% pensa como eu. Acho até que esta é uma suposição optimista… Enfim, somos[?] então 3.000 pessoas em consonância de pensamento. Somos então 3.000 anormais que não deveriam existir. Pelo menos não nesta cidade! Ora, se existem europeus e norte-americanos que não se adaptam ao seu meio social rígido e normatizado, bem estruturado socialmente e culturalmente – há controvérsias a respeitos dos norte-americanos no âmbito cultural… heehee! - onde o respeito aos padrões de comportamento são colocados num altar de severa adoração e se estas pessoas acabam se exilando em lugares como Salvador é óbvio e ululante que a recíproca é mais que verdadeira! Ou não?
Se eles daqui aceitam eles de lá, por que eles de lá não poderiam e, até, não deveriam me/nos aceitar? Não seria isto um depuramento? Ou melhor, uma troca de reféns? Talvez um aperfeiçoamento social, tanto lá quanto aqui? Eu me candidato à troca! Estou pronto! Tragam os inadaptados da Europa para Salvador, ocuparei o lugar de um deles dentro dos registros de trabalhador autônomo, saúde e seguridade social mas não no que tange ao comportamento, serei, tenho certeza, bem mais útil àquela sociedade!
A verdade é que não posso e não tenho o direito de queixar-me de nada – será? – pois por obra do acaso o destino me fez nascer neste lugar que tem uma história bela e complexa. Uma cidade que fisicamente já foi linda e que, por conta da falta de apego cultural e histórico, torna-se feia e medíocre a cada dia, fisicamente falando – leia-se arquitetônicamente. A conclusão é óbvia e já sabida desde o início deste texto, sou o Anormal, sou o Errado, mesmo que filosófica e eticamente tenha razão e me ache Certo. Serei sempre o estressado, o que reclama demais, o que é severo demais, aquele que não compreende o próximo mesmo quando o próximo afronta todos os pontos da minha educação familiar. Para usar um termo da moda novelística recente: sou um pária dentro da sociedade soteropolitana, quiçá brasileira! E não o quero mais ser! Quero o meu lugar de “mais um rosto na multidão”, quero ser igual… se todos são cinzas por lá, cinza será a cor que me cairá bem! Onde quer que seja este “lá”, tenho certeza, não é aqui!
Enfim, não é Salvador que não presta para mim, sou eu quem não presta para Salvador… e me apossando de uma frase lida em outro blog defino o fim deste texto: “contra jumento não há argumento!” – 123 salve todos. Não! Não me entendam mal! Eu é que sou o jumento desta história! Eu é que estou empacado e incomodado…
Cala-te e vai-te embora Pablo!
p.s.: desculpem-me qualquer erro ortográfico ou de concordância, sou péssimo “copidesc”.
Alguém paga numa doceria tradicional da França, por uma unidade de Macaron (uma espécie de alfajor), uma quantia equivalente a 15 mil reais.
Uma mulher parada à frente do Mercado da Graça, em Salvador, espera pela liberação do lixo do dia e comenta com outras duas, num tom de… algo maravilhoso: “…sexta passada tinha uma caixa de ossos e pelancas no lixo, às vezes tem dessas coisas aqui”.
Alguém sonha em algum lugar do Nordeste Brasileiro ou da África com uma caixa cheia de ossos e pelancas jogada em algum lixo acessível, dois segundos depois respira pela última vez e morre de inanição.
Pablo… não leve a vida tão a sério, afinal… você não vai sair vivo dela!
Ontem… ainda no trabalho, antes dos eventos da postagem anterior, estava a pagar uma conta ao caixa eletrônico e enquanto isto meus ouvidos captavam a conversa de dois funcionários responsáveis pela limpeza predial da “SUCKS ON”, em determinado momento escuto:
“…às vezes, quando você está numa empresa há muito tempo e passa a ganhar um salário altíssimo, tipo dois a três salários mínimos, o desconto em folha fica bem grande…”
Velho… essas coisas me deprimem, estragam meu humor de um jeito… Que droga de país é este? Que povo é esse que não se mexe? Inclusive eu!
Daí à noite, assistindo a um programa da TVE sobre o Uruguai… Porra! O país tem uma população um pouco maior que a cidade de Salvador, quatro milhões e pouco. A metade mora no campo, são pecuaristas. O programa falava sobre a vida por lá, o atraso, o orgulho de ser uruguaio e… como começaram uma caça às bruxas da ditadura, a despeito da zorra da lei de anistia que também existe por lá. Fico tentando imaginar o que seria de nós todos, sendo o governo do estado e do país “esquerdistas” que são, se não o fossem!
No ônibus:
Pego o ônibus para o trabalho e escolho o assento imediatamente após o cobrador, que mui gentilmente coloca as lindas patinhas no recosto… Penso seriamente em pedir-lhe que retire os pés de bode dali porém reflito e concluo que o dia está apenas começando então tenho de fazê-lo começar bem. Levanto-me e vou procurar outro lugar, afinal o mal educado seria eu por estragar o conforto do pobrecito! Pense no Sloth do Goonies, pensou, o cara assustava mais…
Andar na Vitória talvez seja um dos últimos prazeres que esta cidade soteropolitana ainda consegue me dar. Geralmente voltando do trabalho eu me permito saltar do ônibus no antigo Hotel da Bahia e vou andando até minha residência, nada muito longe para os meus padrões, coisa de 1,5 km. Faço isto apenas pelo prazer de cruzar toda a Avenida Sete neste trecho conhecido por Vitória, que também é um Bairro e de gente que outrora foi chic ou que ainda o é. Ando entre os carros estacionados e os carros em movimento, pois assim me é possível enxergar o arco formado pelas árvores que ladeiam a avenida. O túnel verde que se apresenta é um espetáculo maravilhoso. Deixando vazar alguns raios de sol e pequenos pedaços de céu, azul ou não, realmente fazem deste um lugar especial.
Mesmo a balburdia da cidade com todas as pessoas apressadas e mal educadas não me incomoda. Gente que passa diariamente por ali e que talvez, não sei, nunca tenha se apercebido da beleza que existente ao seu redor, sobre eles. Tento reconstruir em minha mente a Vitória mais antiga que esta, de vinte e poucos anos anos atrás e que eu mesmo cheguei a presenciar, com mais casas e menos carros, mas é inútil o esforço… minha memória é péssima. Lembro apenas do início da derrocada final, dos prédio explodindo céu acima como foguetes de concreto que nunca alçariam vôo, mas que também nunca deixariam em cidade em paz novamente. Obeliscos da modernidade idiota e mal projetada.
Talvez apenas o Porto da Barra, quando vazio ao final de tarde, consiga rivalizar em beleza e prazer com a Vitória. Ambos são os pontos mais acessíveis para mim, no que diz respeito a locomoção e tals…
Enfim, é triste perceber que cada vez mais o verde desaparece cedendo lugar às colunas de concreto armado cheias de nouveau rich que não se importam com qualidade de vida e habitam quartos com menos de sete metros quadrados apenas para terem condição de se dizerem morando em algum lugar que ainda vive da fama de refinado e clássico. Não, não sou saudosista, preconceituoso ou contra o crescimento de uma cidade, apenas penso em sustentabilidade e qualidade de vida… mas isso é um detalhe que na ética das empresas de construção civil não traz lucro, somente entraves nas engrenagens geradoras de dinheiro.
Arquitetônicamente falando… acho que o concreto fica lindo inserido em meio ao verde e não destruindo-o como em uma batalha se destrói o oponente. Mas eu sou quem afinal para discordar do establishment?
Ontem, ao voltar da natação, ouvi uma auxiliar de serviços domésticos com carteira assinada – antigamente conhecida como doméstica ou empregada – conversando com a provável patroa:
“Então Dona X… eu vou indo na frente, qualquer coisa se coisinho chegar a senhora vai coisando e me encontra lá na frente!”
É engraçado como em Salvador o pessoal gosta de chamar os outros, pessoas próximas ou não, de coisinho e de transformar qualquer ação no verbo coisar! Se você não souber do que se trata pode acabar perdido na conversa!
A coisa é séria…
É fogo do lado de cá, água do lado de lá, vento, o chão tremendo, o céu escurecendo e meio século atrás isso tudo seria mais que suficiente para o povo se alarmar. Aquelas senhoras carolas começariam as novenas de fim do mundo. Crianças à rua nem pensar. As mocinhas não sabiam se resistiam a mais uma investida dos namorados ou se davam mesmo sem pestanejar, afinal o mundo ia acabar e no meio de tanta coisa, aquele ardor juvenil ninguém iria notar. Os senhores pais de família, preocupados com o estoque de alimento, a hipoteca da casa e a prestação da televisão pareciam sentir o golpe mais que todos os outros. Olhavam o céu e se perguntavam “então é isso Senhor, essa é a Tua Vontade… depois de tanto suor e sacrifício…?”. “Blasfemo!”, pensaria a sogra! O cão familiar cagando e andando estava, cagando e andando continuaria até que a coisa ficasse bem absurda o amado peloso de nada desconfiaria. A coisa, a este ponto, estaria bem bagunçada. Todo mundo a achar que era o tinhoso a querer subir e os anjos a quererem descer para aqui na Terra brigar… E nós, como um troféu, na estante colocar…
Hoje a coisa vai diferente, nada de alarido, nem desespero… nada de nada! Tudo isso é apenas mais um dia de telejornal no mundo inteiro! A favela que acende qual fogueira de São João, a criança que voa autoestrada acima e cai inerte no asfalto quente atrás de um presente neste dia indecente de gente inocente, é a chuva que alaga aqui e acolí com os políticos a darem uma de canídeos (desculpem-me cãezinhos queridos) cagando e andando, é o mar que invade mais p’ra lá, a terra a tremer mais p’racolá e o tufão a soprar p’ra lá e p’ra cá! Até o cara que manda mais soldados p’ra matar em terras do além mar está o prêmio da paz a ganhar. E quem se importa…? No máximo o pai coça o saco e fala p’ra mãe, “…olha! A Fátima e o Bonner estão de folga hoje!”.
Ah! Vai se danar…
Como deve ser um primeiro post? Sóbrio? Sério? Devo dizer o que pretendo escrever por aqui? Devo versar sobre algum tema específico e emitir opinião a respeito daquilo que não domino com a propriedade de um doutor em cumulus nimbus. Está é uma dúvida que tem me perseguido desde o momento em que achei de criar esse domínio com a ajuda do Laert. Oras, eu não sou novato nessa onda de blog, então decidi escrever qualquer coisa. Melhor que post de teste!Melhor que nada! Eis o título desta postagem! “Melhor que Nada”!
Coisas que estão a borbulhar em minha cabeça:
Nobel da Paz para o Barack Obama,
Olimpíadas do Rio de Janeiro,
Ética nas relações pessoais, na vida, no trabalho, no mundo,
Sexo, drogas e rock and roll,
Amor e sexo,
Amor,
Sexo,
Saúde,
Morar fora da Bahia,
Morar fora do Brasil,
Morar na Europa,
Natureza,
Existe democracia?,
Viver,
Grana.
By the way, thanks bro Lau!