Diálogos II

On 19 de maio de 2010, in Diálogos Hipotéticos, by Pablo
1
- Preciso comprar cuecas novas. As minhas estão velhas!
- Eu gosto das tuas cuecas velhas. Gosto dos furos e do amarelado nas cuecas brancas…
- Não! Preciso comprar cuecas novas.
- Ah… deixa disso, é charmoso!

O mundo mudou e eu não vi?! Desde quando mulheres gostam de homens com cuecas velhas?! Aí tem…

- Mas… bem, talvez seja bom comprar uma ou duas…
- É… preciso comprar cuecas novas! – lá vem…
- Bom! Poderíamos marcar para irmos ao shopping um dia destes, então… Eu te ajudo a escolher alguns modelos.
- É… – Quais modelos?! Aqueles tipo samba-canção com patinho, e bichinhos escrotos?! No way!
- E depois poderíamos ir àquela loja, lembra, a da bolsa! Poderias me ajudar na prestação… o que achas?!

Eu sabia!

- Bom… acho que não estão assim, tão velhas mesmo!
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Diálogos I

On 19 de maio de 2010, in Diálogos Hipotéticos, by Pablo
1
- Por que me odeias?
- Eu não te odeio…

[...]

- Sim…
- Sim o que?
- Eu te odeio!
- Por quê?!

[...]

- Porque mataste meu sorriso!
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Café

On 11 de abril de 2010, in ...no tombo, by Pablo
6

Acho que é meio difícil para qualquer pessoa entender o que o café causa em meu organismo… Vejo as pessoas falarem em tomar café como se fosse uma espécie de segunda água! Muitas vezes, inclusive, bebem café mais do que água. Cresci vendo minha mãe tomar várias xícaras de café ao dia, acho que é mal de jornalista, mesmo que ela não complete o trio habitual: jornalista+café+cigarros!

O aroma do café me traz reminiscências deliciosas, mesmo que nada definidas – enfim, são reminiscências – algo como ver um quadro do mestre Édouard Manet por trás de brumas e através de uma janela com vidros craquelados… Não há explicação, me é prazeroso! No entanto o sabor, apesar de não ser de todo ruim, não se equipara ao aroma! Mas o problema todo vem com a ingestão!

Acho que o café fez com que eu tivesse cagaço de experimentar várias outras drogas! Eu sei, é ridículo. Soa ridículo. É absurdo até. Mas verdadeiro… Eu realmente não me sinto bem!

Se existem paixões platônicas que devem permanecer platônicas, esta é uma delas para mim… Olhar, cheirar, perceber a presença e me conformar que é isto e mais nada!

Parece estranho? Afinal é só uma bebida, não é? Fazer paralelos sempre é bom… eu os faço, o tempo todo! Vai dizer que nunca se percebeu querendo alguém que sabias, não daria em nada…?!

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Proudhon 2

On 10 de março de 2010, in Grosseiro, by Pablo
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“Qual é o princípio fundamental da antiga sociedade, burguesa ou feudal, revolucionada ou de direito divino? É a autoridade, seja que se a faça vir do céu ou seja que se deduza, com Rousseau, da coletividade nacional. Da mesma maneira, assim disseram e assim fizeram os comunistas. Eles submetem tudo à soberania do povo, ao direito da coletividade; sua noção de poder ou de Estado é absolutamente a mesma da de seus antigos senhores. Que o Estado seja intitulado de império, de monarquia, de república, de democracia ou de comunidade é evidentemente sempre a mesma coisa. Para os homens desta escola, o direito do homem e do cidadão depende inteiramente da soberania do povo; sua própria liberdade é dela uma espécie de emanação. Os comunistas [...] podem de consciência tranqüila prestar juramento a Napoleão III, sua profissão de fé está de acordo…”

Eu odeio comunismo! Eu odeio capitalismo!

“- Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade…” – lula a respeito dos dissidentes cubanos em greve de fome!

Até quando…? Até quando…? Até quando a mentira deste governo irá sustentar-se sobre um banco de falácias e mentiras?

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Proudhon 1

On 12 de fevereiro de 2010, in Grosseiro, by Pablo
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“Desde que coloquei os pés sobre o Sinai parlamentar deixei de estar em relação com as massas; à força de me absorver em meu trabalhos legislativos, perdi inteiramente de vista a marcha das coisas. Não sabia nada, nem da situação das oficinas nacionais, nem da política do governo, nem das intrigas que cruzavam no seio da Assembléia. É preciso ter vivido neste isolador que se chama uma Assembléia Nacional para conceber como os homens que ignoram mais completamente o estado de um país são quase sempre aqueles que o representam.” – Pierre Joseph Proudhon em “A Propriedade é Um Roubo e Outros Textos Anarquistas” – Coleção Pocket por L&PM.

A democracia é um estado que alimenta a preguiça, a ignorância e o continuísmo histórico e classicista. Aqueles que criticam o voto nulo nada mais querem que a perpetuação do sistema. Não existe voto útil em uma sociedade democrática moderna. Quantas vezes já escutamos que o poder corrompe até o mais justo dos homens, isto não é absurdo, é a verdade! Ao chegar “lá” não há mais o que fazer, ou sairás para nunca mais voltar depois de quatro anos, ou viciarás e continuarás até a derrocada final dos seus conceitos éticos.

Podes escolher entre o mais à direita e o mais à esquerda, nada mudará, no final, ele, o votado, optará por si, sob a justificativa que todos têm de ganhar dinheiro para sobreviver.

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Democracia ou apenas sufrágio universal?

On 11 de fevereiro de 2010, in Grosseiro, by Pablo
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Há 25 anos a democracia voltou a vigorar no Brasil. Eu não acredito que realmente exista uma democracia em ação no mundo e, do alto da minha ignorância histórica e sociológica, tampouco acredito que tenha existido em outro momento da história humana. Na verdade aquilo que todos chamam de democracia moderna eu chamaria de falácia contra a vontade do homem de se revoltar. É o mais abjeto engodo tramado não sei por quem. Talvez por aqueles que dominam os que nos dominam, aqueles que pagam por vias escusas os que nós pagamos através dos impostos. Quem saberá? Apenas percebo que através do argumento da democracia nos pasmamos e aceitamos tudo com a vã esperança que nos alimenta durante quatro anos: a próxima eleição sairá melhor!

Como pode um sistema de governo onde o povo é soberano mas só decide o seu próprio destino de quatro em quatro anos se auto intitular democracia? Não faz sentido. Por exemplo, o destino de todo o político corrupto não deveria ser decidido no voto das próximas eleições ou dentro de um plenário, onde este encontra-se cercado dos seus asseclas. Alguns casos de corrupção e falta de decoro deveriam ir à votação direta, em forma de plebiscito, em âmbito nacional, para que fosse definido o destino do acusado. Exemplo recente: José Sarney! Nunca, se a democracia fosse real, ele deveria ter o seu caso decidido por seus colegas e sim por voto direto, popular. Democracia? Pfff! Falácia!

Se outrora foi difícil aos governantes manter um regime apenas com o panis et circus a modernindade nos trouxe mais um alicerce para o sistema e desta forma, todos sabemos, um tripé é muito mais estável do que duas pernas de pau. E estes três pilares têm como amarra às unir a mídia que toma o papel de defensora daquilo que lhe é mais confortável e aprazível sem contar mais rentável, claro.

Democracia… vocês realmente acham que vivem numa? Você é um refém do sistema, isso sim. E acredite, não vem nenhum esquadrão especial te libertar. Mova-se!

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Bip!

On 13 de dezembro de 2009, in Grosseiro, Pensativo, by Pablo
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Naquela manhã ele acordou mais cedo que o habitual e sentado à cama ele puxou o gatilho de sua alma. Suas idéias, lembranças, pensamentos em forma de projéteis perfuravam a fina e débil membrana daquela que era a sua realidade… Ele não estava preparado para isso. Em desespero saiu porta a fora, corria desnorteado por ruas e becos, labirintos dentro da sua própria inconsciência… A sanidade que lhe era apresentada através dos furos ocasionados por seus disparos era demasiadamente pesada para ele. O tecido da sua loucura se desfazia ante seus olhos perplexos. As lágrimas que em outras épocas lhes ameaçavam inundar a vida e afogá-lo agora apenas molhavam sua face. Sentia os dedos dos pés e das mãos formigarem, o pulmão ardia… O que era aquilo? Consciência? Do que?! Não queria mais enxergar tanta perfeição, pessoas riam ao seu redor… amavam… eram felizes… O seu olhar perdido procurava um resto de loucura para se agarrar, talvez esconder-se, encolhido como uma criança medrosa à barra da saia da mãe… Nada encontrava. Era sanidade por todos os lados… todos os poros… E aquele barulho horrendo ecoando em sua cabeça: bip! bip! bip! bip! bip! bip! bip! bip!

O que será isto agora? – pensou.

O despertador já o massacrava os ouvidos há alguns minutos. Eram cinco horas da manhã. Mais um dia de trabalho. Os mesmos rostos. A mesma rotina. O mesmo enfadonho trabalho de todos os outros dias. Nada daquilo valia a pena. O que era demasiado interessante nisso tudo? Por que tantos desejavam uma vida dessas. Sucesso! Dinheiro! Garagem com dois… três carros. O status quo era um massacre. Decidido a reconstruir a sua prórpia realidade e mais uma vez lançar-se através daquela tão confortável trama de insanidade, ele ergue-se para um novo dia…

Sentado à cama, puxa o gatilho…

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A Frigideira ou…

On 19 de outubro de 2009, in Grosseiro, by Pablo
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Coisas do Pablo:
“…cadê a porra da frigideira? ‘Tou com fome! Tenho que cozinhar o rango! …cadê a porra da frigideira!?!” [olha no armário] “…cadê a porra da filadaputa da merda da frigideira!?” [olha no secador de louças] “…cadê a merda?!” [gira a cozinha inteira - detalhe: cozinha com 2,10 por 2,10... GRAAANDEEEE!][Para!][Pensa!]<– se isso for possível p’ra ele!] “…vou colocar a água p’ra ferver! Ah! ‘Ta aí filadaputa!” ['tava no fogão a frigideira!]
Isso me fez lembrar a vez em que perdi o óculos dentro de casa! Andei a casa toda, procurei, procurei, procurei, procurei… desisti em frente ao espelho! [adivinhem!]

photo by Pablo

…coisas do Pablo:

“…cadê a frigideira? Foooooome! Tenho que cozinhar o rango! …cadê a porra da frigideira!?!”

[olha no armário]

“…cadê a porra da filadaputa da merda da sacana da frigideira!?”

[olha no secador de louças]

“…cadê a merda?! Porra!!!”

[procura a cozinha inteira - detalhe: cozinha com 2,10m por 2,10m... GRAAAAAANDE!]

[Para!]

[Pensa!]<– se isso for possível p’ra ele!]

[Desiste!]

“…bom!, vou colocar a água p’ra ferver! Ah!!!!! ‘Tá aí filadaputa!”

['Tava no fogão a puta da frigideira!]

Isso me fez lembrar a vez em que perdi os óculos dentro de casa! Andei a casa toda, procurei, procurei, procurei, procurei… desisti em frente ao espelho! [adivinhem!]

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Só lidar

On 16 de outubro de 2009, in Pensativo, by Pablo
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pôr-do-sol - photo by Pablo

As pessoas andam… Elas andam pelas ruas com os seus problemas. Elas olham sempre em frente, sozinhas com os seus problemas. As pessoas andam sozinhas pelas ruas… Mas elas não estão sós, andam sempre com os seus problemas. Olham sempre em frente, sozinhas, com os seus problemas. Assim é mais fácil. Elas andam fechadas e sozinhas, cheias de problemas! Estão acostumadas a isso…

O que aconteceria se olhassem para o lado? Se percebessem que um sorriso poderia ajudar a aliviar os seus problemas e os problemas alheios? O que aconteceria se partilhassem? A rede de problemas acabaria? Talvez não, mas poderiam ficar mais leves…

Não!

Isso é muito perigoso, alterar o sistema é perigoso! Isso poderia se alastrar por todos os lados, numa gama de reações absurda. Provocando sorrisos e risadas… Alegria é um vírus letal. Deve ser combatido ao extremo. Foi estabelecido há muito tempo já: as pessoas andam pelas ruas sozinhas com os seus problemas.

Qual o benefício de se alterar esta ordem? Uma nova estrutura social seria estabelecida, pessoas alegres ou nem tão alegres, mas solidárias, talvez nem tão solidárias, mas participativas. Talvez apenas pessoas com problemas andando pelas ruas, porém sem se sentirem sozinhas.

Não!

Isto é muito perigoso! Não devemos trabalhar desta forma a nossa existência conjunta. Toda remodelação do sistema sempre causou dor e morte. Muitos indivíduos foram perdidos nestas modificações. Enlouqueceram, se mataram. Agora o sistema finalmente está estável. Não existem falhas. Todos andam pelas ruas, sozinhos, com os seus problemas. Às vezes em pares, ou até em grupos, mas sozinhos, com os seus problemas.

É bom não arriscar um sorriso, ou um “olá, bom dia!”. Perigoso demais! As pessoas não entenderiam com simplicidade, pois é uma linguagem antiga e complexa e o material humano que temos agora foi desenvolvido para outro tipo de comportamento. Mesmo os modelos mais antigos se encontram atualizados e perfeitamente adaptados[?]. Eles se acomodaram finalmente. Seria desconfortável para eles, depois de tantos anos tentando o ajuste correto ao novo método de conduta social, terem de voltar a um sistema tão obsoleto. Decididamente não!

As pessoas continuam andando sozinhas…

Obs.: este texto pertence ao meu blog antigo e que não mais existe. Alterei uma palavra sem mudar o sentido do texto,  apenas por estar repetida… E alterei a frase final, aqui vai a original: “As pessoas continuam andando, lá em baixo, enquanto eu vôo…”.

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