Eu choro… eu choro quando nado, através da minha pele. Eu gosto de nadar, pois dou murros na água. Sinto, muitas vezes, que não nado e sim me debato em agonia. E a minha pele chora e eu não vejo. Meu estômago dói e eu não ligo. Antes de nadar eu choro, em lágrimas caídas dos meus olhos, escondido em meu castelo. E choro durante o ato de nadar. “E depois, tudo passa?” Não, continua lá, mas me dá paz e cansaço suficientes para dormir e encarar um novo dia.
Pessoas outras tomam remédio, usam drogas, bebem… Isso é válido também, não condeno. Quem sou eu para julgar quem quer que seja. Eu nado e choro. Choro por dentro também, porque afinal, o choro vem de lá daquele lugar infinito que fica no fundo de alguma gaveta do cérebro e quando sai passa diretamente por nossas vísceras. Sim, porque choro que não é visceral, é choro de esparro… choro de novela. Não vale nada.
A água, tal qual a música, é uma excelente companheira… Não te trai! Não te diz uma coisa, quando é outra. Não joga contigo. E enquanto a música te tira pra dançar e embala teus sonhos, a água te abraça e te ama e te exaure. Não são a mesma coisa que dançar com ela, ou o abraço dela. No entanto, eu amo música… e amo nadar…
E no fim, depois de todas aquelas braçadas, eu me sinto um pouco mais leve, ou talvez menos pesado…