Liberdade?

On 7 de junho de 2010, in Pensativo, by Pablo
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Caminho sobre as minhas próprias pegadas e esta constatação, de me repetir sempre nos mesmos passos, me angustia… Como um louco que tenta derrubar uma fortaleza a cabeçadas, eu insisto, inadvertidamente na mesma trilha e volto ao ponto de partida, infinitamente, como um disco arranhando. Olho aos lados e vejo diferentes pessoas, outras paisagens… Novos atores das mesmas personagens, que se sucedem ininterruptamente. Estou cansado disso.

Deveríamos ser senhores dos nossos destinos, mas a mim isto parece tortura. Como a um preso se lhe impõem uma gota a pingar sobre a fronte em um quarto escuro. Estando ali abandonado por um tempo que lhe parece mais com uma vida inteira e na verdade não passariam de algumas horas. Estas horas, que para nós, são anos, me afligem… “Falem comigo! Batam-me! Perguntem-me algo!”. A grande sacada de Deus, do Destino, do cacete que for, é que, diferente do torturado, nós recebemos a graça divina da vida. Dizem-nos todos os Textos que somo senhores do livre arbítrio a nós confiado… Mas nesta estrada que sigo, percebo a leve marca deixada por mim, meus pés… meu ser… E se existe a tal liberdade, onde ela está? Estamos então num jogo de fases? Cansei de jogar, quero viver…

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Pessoa, sempre ele…

On 26 de maio de 2010, in ...no tombo, by Pablo
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Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

Fernando Pessoa, 1934
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Inevitável

On 20 de maio de 2010, in Grosseiro, Pensativo, by Pablo
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Não foste sempre tu quem disseste que nada iria te corromper? Do alto da tua pueril arrogância te intitulavas como inflexível ante as agruras do tempo. As bordoadas da vida nunca lhe fariam dobrar os joelhos… Assim eras lá do alto dos teus dezoito anos. Foste frio e impiedoso com todos os que te amaram e nada deste em troca dos pedidos de perdão… O olhar superior e a empáfia solene lançava a todos em um torvelinho de angústia e miséria e nem assim esboçavas qualquer compaixão.

Agora, te sentas, à beira do caminho. A mão estendida, os olhos fundos e vítreos de desesperança. Onde está a tua soberba? Onde está aquela empáfia? Consumida pelo maior algoz de todos, aquele que, inexorável, marcha sobre tudo. Aquele que desafiaste e chamaste a dançar: insolente! O tempo te esperou à esquina e não te avisou quando começou a andar ao teu lado! Teus ossos fracos, tua vista cansada, tua mente que falha… O coração de pedra aos poucos vai-se em areia, antes espatifasse, mas não: decompõe-se.

Espera, não te vás, fica, mendiga mais um pouco por qualquer sentimento[...], quem sabe alguém das antigas te veja e possa enfim vingar-se, dando a ti tudo o que não pensaste sequer em oferecer: misericórdia.

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Eu e meu umbigo…

On 16 de maio de 2010, in Pensativo, by Pablo
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Vislumbrei o fato de que não tenho mais condições psicológicas de viver em Salvador, talvez no Brasil. Os últimos dias têm me mostrado que o meu nível de estresse e desespero ao lidar com as pessoas ao meu redor ultrapassou o limite o absurdo. Simplesmente não consigo mais tolerar a burrice, ignorância, presunção e arrogância dos outros seres humanos com as quais convivo no dia a dia, seja apenas por alguns instantes em ônibus ou à rua e também no trabalho…

Daí, pensando comigo mesmo e sendo o meu carrasco, como geralmente eu tento ser para não dar aos outros a chance de sê-lo, primeiro me considerei um “se fazendo de vítima” “coitadinho”, por não me adaptar ao “environment”. Oras! Depois me questionei se eu realmente iria tolerar conviver com os intelectuais, os donos do saber… Sinceramente, não. Conheço pessoas que se acham conhecedores de tudo e são dois pés em cada ovo do saco!

Concluí, portanto, que o problema sou eu… Não sei brincar de sociedade. Tá, eu até gosto de sair, encontrar amigos, encontrar pessoas, ver gente, conhecer seres humanos e tals, mas por favor, não o tempo todo, não… não dá! Acho lindo quem consegue, quem tem esse talento. Mas não é para mim. Trabalho? Acho que deveríamos ter dois ou três nos quais desenvolveríamos as atividades necessárias ao longo da semana. Dois dias em um, três no outro, talvez duas ou três tarde para um terceiro… A variedade gera uma satisfação, provavelmente até diminuiria o ímpeto poligâmico de alguns “machos”. Vai saber, né!

Me irrita o dia a dia com o sempre “mais do mesmo”! Burrice: me irrita! Falta de educação: me irrita! A inexistência de cultura em um indivíduo: me irrita!

Quando eu afirmo que todas essas coisas me irritam, não quero dizer que sou o supra sumo da inteligência, cultura, educação! Eu peido, arroto, enfio o dedo no nariz, falo palavras de baixo calão e atravesso a rua no sinal aberto… mas tudo ao seu momento.

O que fazer? Não sei. Se tiveres uma dica, a mais besta que for, me ajude…

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